sábado, 11 de agosto de 2012

O que é preciso para ser um bom Prefeito?


O que é preciso para ser um bom Prefeito?
Autor: José Alberto Tostes

            Neste ano de eleição para o cargo de Prefeito em todo o Brasil tem ocorrido um amplo debate nas redes sociais sobre o que é preciso para ser um bom Prefeito? Existe uma fórmula especifica para dizer que tem ou não melhores condições de governar. Na prática ser um bom Prefeito significa cumprir fielmente os princípios defendidos em uma campanha política, em segundo plano, o Prefeito eleito deve ter um Plano de Governo com metas definidas para o desenvolvimento do Município. O que mais entristece a população é a repetição de coisas que já deveriam ter sido eliminadas da gestão pública.
           Nos últimos 20 anos inúmeros recursos foram colocados a disposição dos prefeitos em todo Brasil visando melhorar cada vez mais a eficiência do processo de planejamento e gestão, cursos de capacitação de capital humano e principalmente a melhoria dos dispositivos tecnológicos a serviço da melhoria do desempenho de múltiplos setores municipais. Quem melhor oportunizou isso? Na sua grande maioria os municípios do Centro-Sul do Brasil, os municípios da região Norte acessaram minimamente os recursos disponíveis para aperfeiçoar a melhor a máquina pública.
           Onde está a diferença entre uma Prefeitura moderna e uma Prefeitura atrasada? Está diretamente no sistema de Planejamento e arrecadação. Se a Prefeitura não está modernizada, não arrecada se não tem planejamento não utiliza os recursos adequadamente, se não tem capital humano qualificado à “máquina” emperra. Então, ser um bom Prefeito é antes de tudo, ter uma leitura sobre a necessidade de investir naqueles setores que apresentam grandes deficiências no funcionamento e no atendimento ao público.
           Não pode um Prefeito eleito, após alguns meses vir a público e falar somente dos problemas, que previamente já deveria saber antes de assumir o cargo. Ser um bom Prefeito não está relacionado somente à qualificação e formação que o candidato possui, mas também a percepção de como se administra de forma estratégica múltiplos problemas, porém, deve-se ressaltar que muitos não tem a fórmula para equacionar problemas crônicos, mas deve ser dito, boa parte destes problemas não tiveram a solução pertinente em gestões anteriores.
            Um bom Prefeito deve ter a dimensão da realidade espacial do Município, entender que sem Planos, Programas e Projetos não conseguirá alcançar as metas previstas. É curioso quando se fala de avaliação municipal, isso é recorrente no Brasil, alguns prefeitos dizem que não há recursos humanos suficientes para atender determinadas demandas, entretanto quando se vislumbra o número de servidores municipais são milhares. O Município não poder ser mais administrado de forma amadora e repetindo atos de um passado distante. Um dos maiores problemas dos municípios do Norte do Brasil é a forma clientelista do trato das relações institucionais que acabam por destruir princípios importantes de serem aplicados como o cumprimento da Lei, vale para alguns, mas não para outros.
           A melhor maneira de avaliar um candidato a Prefeito ou o próprio Prefeito, não é somente verificar aspectos quantitativos que são defendidos, mas analisar se as propostas vão melhorar a perspectiva de qualidade de vida urbana, desenvolver o turismo com a geração de emprego e renda, chega de aumentar o tamanho da “máquina” municipal, não será isso que irá resolver os problemas e tão pouco dar eficiência ao processo de gestão. Há algo que os prefeitos devem ter a predisposição para aprender e apreender, ver novas realidades, conhecer técnicas, sistemas, programas e dentro do possível aplicar ou adaptar a sua realidade.
           É comum no caso do Prefeito, achar que já conhece profundamente os problemas, se sente experiente, não é necessário fazer nenhum curso, assistir a nenhuma palestra, para quê isso?  Este exemplo tem conspirado contra os prefeitos que na sua grande maioria não tem paciência para ouvir e deixam somente esta tarefa para “assessores” de plantão, muitas vezes não conseguem traduzir o real significado do conteúdo aplicado.
           Para ser um bom Prefeito não basta sair por todos os lugares da cidade apertando as mãos dos munícipes como ato de simpatia, de alegria e popularidade, tem que ter propostas concretas, não àquelas pontuais registradas em cartórios, é bom desconfiar de candidato que registra propostas em cartórios, quase sempre não irá cumprir nenhuma. O processo enraizado na cultura política brasileira inverteu a lógica, geralmente o candidato eleito é aquele que mais seduz mais o povo, é o que mente mais, é aquele se aproxima mais da ficção do que da realidade.
           O candidato que fala a verdade é mau visto pelas grandes massas. Também se deve considerar a questão da troca do voto por benefícios diretos, criando uma disputa muito mais no campo de quem articula mais a malandragem do propriamente a assimilação das boas propostas. Ser um bom Prefeito também passa pela valorização ética do cidadão, de ser uma pessoa comprometida com o desenvolvimento futuro do Município e da cidade, passa pela real perspectiva de inovar, criar e valorizar o desenvolvimento local. Pense bem nisso! Ser um bom Prefeito não é para qualquer um.

Um comentário:

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